Autor: Edson Caldas Jr.

Achou o valor alto?! Saiba Dizer Não! | JobCast 14

Achou o valor alto?! Saiba Dizer Não!

No JobCast 14, vou abordar um assunto pouco explorado: o descaso no processo inicial de uma negociação entre um possível cliente e agência.

Ambas as partes precisam entender que existe, ou pelo deve existir, um processo de comunicação organizado, desde o início da solicitação de uma simples proposta comercial, até, de fato, a conclusão das etapas desse processo.  

E, quando falo em conclusão, ela deve ser tanto negativa quanto positiva. O que o empresário precisa ter em mente é que quando ele solicita uma proposta comercial, demonstrando interesse em ser atendido por determinada agência de comunicação, essa agência não está fazendo um favor.

A partir de um primeiro contato, vão existir etapas no meio do processo de elaboração de uma proposta comercial que, na maioria das vezes, será necessário algumas horas para a conclusão da proposta, reuniões e alguns contatos, posteriormente, para sanar dúvidas e realizar eventuais ajustes para um alinhamento de expectativas e objetivos. Principalmente quando estamos falando de processos de uma empresa de comunicação.

Feedback é importante, mesmo que seja negativo

Dizer não, não é feio. Feio é ficar enrolando ou deixar que o processo de comunicação, seja por e-mail, telefone, WhatsApp (não muito recomendado), sinal de fumaça, seja, propositalmente ignorado e deixar que ele caia no limbo das propostas, entra no mundo dos guarda-chuvas perdidos, que não passaram pela aprovação do futuro contratante.

Tenha em mente que você estará representando uma marca, e que está sendo “avaliado” como profissional. Tenha a maturidade, inclusive, para dizer dar o retorno negativo caso a proposta solicitada não esteja de acordo com o esperado. O mais indicado, e já esperado por ambas as partes, é uma contraproposta. Isso é natural. Faz parte de uma negociação.

Mas, se, mesmo assim os valores ou o contexto da proposta não agradou e não chegou onde os seus gestores ou responsáveis esperava, entre em contato com a empresa, agradeça o tempo dedicado e dispense. Fazendo isso você estará finalizando com maturidade o processo de negociação, deixando claro os “porquês”. Ser transparente, desde o início, é a melhor maneira de se posicionar profissionalmente no mercado. Ficar enrolando ou, pior ainda, mentir e inventar motivos para dizer não, não é a saída. A transparência faz com que ambas as partes envolvidas cresçam.

Pra finalizar, vale sempre lembrar que o conteúdo é baseado na minha vivência e experiência no mercado local e que não, não é para levar como verdade absoluta. A  ideia principal e proposito deste humilde canal de conteúdo é compartilhar a minha opinião sobre tudo que envolve o universo da comunicação.

Obrigado pela atenção e até o próximo JobCast! 😉

A polêmica peça da Aspirina criada pela AlmapBBDO | JobCast 13

Sejam bem vindos a mais um JobCast.

No JobCast de número 13, falei um pouco sobre a polêmica peça que fez com que a agência AlmapBBDO perdesse dois Leões de Bronze no Festival de Cannes 2016 e suspendesse toda a comunicação da Bayer, para a Aspirina.

Para quem não sabe, a AlmpaBBDO foi eleita – pela quarta vez – a agência do ano no Festival de Cannes 2016 e levou, para enfeitar as prateleiras da agência, mais 21 estatuetas do famoso e idolatrado Leão de Cannes.

Agora, vamos falar do que interessa: a polêmica pela criada para a Aspirina, e o que eu acho sobre todo este ruído e sobre a estratégia “oculta” por trás de todo o barulho que o contexto criativo da comunicação está proporcionando para a Bayer e a campanha da Aspirina.

Abaixo, a peça em questão, que gerou revolta na comunidade online, foi acusada de sexismo e causou “repúdio”, inclusive, na própria empresa anunciante. Sim. Foi exatamente isso que você leu: o próprio cliente repudiou a peça. Mas como assim, ele não aprovou? Em termos…

Aspirina

Explico com mais detalhes no vídeo, mas, em resumo, a AlmapBBDO criou a campanha especialmente para Cannes. Especialmente para ganhar prêmios. Ou seja, segundo informações da própria empresa anunciante, a agência apresentou, em reunião, todo o conceito da comunicação e pagou pela veiculação das peças. A boa e velha mania das agências de propaganda do Brasil correrem atrás de prêmios a qualquer custo, se fez valer a ferro e fogo neste caso.

Ai você me pergunta: se o cliente aprovou, como ele poderia dizer que a comunicação causou repúdio? E, é ai que eu identifico o meu ponto de vista sobre a estratégia de comunicação muito bem amarrada por ambas as partes.

Na minha humilde opinião, o Festival de Cannes – a grosso modo dizendo –  foi usado como meio para uma bela de uma ação de Ambush Marketing. Posso até estar exagerando, mas, você, caro leito, acha mesmo que uma agência com o Know-how da AlmaPBBDO, e toda a experiência deles em Cannes, não estavam cientes de que isso poderia, ou melhor, de que isso iria acontecer? A primeira vez que eu tive contato com a peça, eu logo julguei como uma peça criativa, porém, sem noção e pouco “responsável”. Sempre digo que publicitário tem que parar de fazer peça para publicitário. 

No entanto, depois de ler algumas matérias sobre o caso, digerir com mais calma, cheguei a conclusão que eles foram brilhantes; cliente e agência conseguiram o que queriam. Eles não são amadores e sabem o poder que a comunicação criativa tem sobre as pessoas. Lançar uma comunicação simples e direta, onde o contexto explora um tema polêmico e cada vez mais em voga na sociedade, como a vazamento de conteúdo íntimo foi, no mínimo, o fósforo que eles queriam riscar para que todo esse barulho fosse feito. E, cá pra nós: deu certo, pois estão falando de Aspirina mais do que nunca (Ô Loco, Mêu).

Para finalizar o meu texto, gostaria de convidá-lo a ler um excelente conteúdo que foi publicado no Meio & Mensagem, e que aborda um lado interessante do Festival de Cannes e a necessidade de se ganhar prêmios apenas por ganhar.

Como o próprio Oliveto disse em uma entrevista também ao Meio e Mensagem, “Prêmios eram o essencial, hoje são o detalhe.”

Muito obrigado pela sua visita e até o próximo post. 😉

Dica de leitura: FOCO – Daniel Goleman – JobCast 12

O JobCast número 12, como prometido em um dos vídeos anteriores, que havia dito  trazer uma indicação de leitura por mês, vai ficar por conta de uma excelente recomendação de leitura: FOCO – A atenção e seu papel fundamento para o sucesso , do autor Daniel Goleman.

Daniel Goleman é psicólogo formado em Harvard e dedica-se a estudos e pesquisas sobre como a inteligência emocional pode influenciar no sucesso de corporações e até mesmo na nossa vida pessoal. Explorando cada área do nosso cérebro, Daniel Goleman explica, com dados científicos, como a nossa mente divaga a todo momento, e como nós podemos evitar, ou pelo menos entender quando isso acontece, para começar a trabalhar melhor o nosso foco diariamente, para poder realizar, desde demandas mais simples, até as mais complexas, com excelência, e ser mais produtivo de verdade. Esqueça a máxima do profissional multitask. A nossa mente, para trabalhar bem, precisa de espaço para absorver e conseguir assimilar qualquer que seja a demandam quando ela exige um pouco mais de concentração.

A maneira com que Daniel Goleman escreve, consegue de maneira envolvente, falar de assuntos técnicos de forma com que você não consiga parar de ler. Bom, pelo menos, como disse no vídeo, eu não me lembro de um livro que não seja de ficção, que conseguiu me manter imerso durante 3, quase 4 horas, lendo sem parar e sem vontade de parar.

Ao contrário de muitos livros do gênero, FOCO não é o tipo de livro que você vai se deparar com os clichês de autoajuda e dicas de como acordar cedo e tomar um bom café da manhã vai te ajudar a ser mais produtivo no dia a dia. Daniel Goleman consegue dirigir a sua mente para um universo extremamente técnico do nosso cérebro, usando exemplos para que a leitura não se torne chata.

FOCO é indicado para qualquer profissional que tenha vontade de aprender um pouco mais sobre a própria mente e funciona quando precisa de foco de verdade. Além das ótimas explicações, baseadas em estudos científicos, FOCO também traz alguns exemplos de como algumas grandes corporações aplicaram a inteligência emocional para melhorar na performance e, consequentemente, ampliar os resultados.